25 de fevereiro de 2016

Alguém

É bem possível desacompanhar-se de umas cem mil coisas tidas hoje como necessárias, mas não, não é possível viver bem desacompanhado desta coisa única: alguém. Viver na companhia de outrem em vez de entre coisas, no entanto, é estar ao lado de uns cem mil 'não, não quero', 'não, não vou', 'não, não gosto', 'não, não dá', 'não, agora não'... 

Que fazer, então, quando ainda por cima os 'sim, é claro' ou os 'claro, agora mesmo', contrapesos fundamentais, não mais se fazem ouvir? 


Bem, não sei: cada laço faz suas curvas, volteios, voltas e revoltas. Dificílimo  e errado  generalizar. Não obstante, talvez se pudesse dizer que refugiar-se naquelas cem mil coisas referidas acima, ao nos distrair dos problemas sem resolvê-los, piora inacreditavelmente a situação. 


Nota-se aqui a falta de alguém: que tenha a virtude, o desejo ou a disposição  o amor  de ir buscar no fundo de cada 'não' o 'sim' que ele encobre. 


Que fazer, pois, e em tais casos, senão isto: usar dia a dia os olhos e ouvidos a fim de descobrir, em meio às mil distrações e rotinas todas, e antes de tudo em si mesmo, alguém.

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