25 de fevereiro de 2016

Um cuidado

Os acontecimentos algumas vezes desinterpretam a gente.

Perder alguém para a morte, ou, mais comum, para a vida, é uma ocorrência assim, e nunca sabemos de antemão como reagiremos. Não sabemos. Insisto: não sabemos. 

O término de um relacionamento no qual estávamos enraizados ou o falecimento, repentino ou não, de algum familiar ou amigo muito próximos, são, pois, situações que nos ultrapassam violentamente; diante delas, jamais reagimos, tim-tim por tim-tim, como imaginávamos.

Mesmo os que sempre esperam o pior não sabem o que esperam. Não sabem. Cuidado consigo, no sentido de buscar em si, de verdade, quem se é, é preciso. Nada garante um remédio eficaz, mas sem isso o colapso gradual está garantido.

Acontecimentos como esses podem ser enfrentados, nas primeiras horas, nos primeiros meses e até nos primeiros anos com muita coragem e temperança, mas não há como prever ou mesmo perceber sua influência em prazos mais longos. O tempo traz um tanto de sabedoria e paz a alguns, mas noto, sempre mais, que à ingente maioria ele traz mesmo é amargura: crescente, insidiosa, imperceptível aos desatentos (são tantos...).

Esta amargura não é bem uma tristeza, não impede ou inibe sorrisos. Ela cresce como uma desarmonia de fundo, revelada nas sutilezas mais do que nas intenções, reais ou fingidas, e o mais sério e difícil: não é passível de ser convertida por força da vontade. Sequer é consciente, muitas vezes.

Portanto, cuidado ao lidar com pessoas que perderam porções de si mesmas... Em tais circunstâncias, silêncio e presença, é sempre bom lembrar, fazem mais do que a vontade ansiosa de fazer alguma coisa.

Isto posto, não descuidemos das almas que nos ligam desde dentro uns aos outros, lembrando ainda, enfim, que se há uma coisa que a vida sabe fazer de uma hora para outra é nos sacudir com força. Cuidado.

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